Iam cortar minha cabeça', diz homem resgatado das mãos de milícia no Rio
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Monday 21 January 2019
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Iam cortar minha cabeça’, diz homem resgatado das mãos de milícia no Rio

Iam cortar minha cabeça’, diz homem resgatado das mãos de milícia no Rio

Ele tinha entrado em comunidade à procura de emprego e foi confundido.
Apontado como informante, era vigiado por quatro homens.

O vigilante resgatado na quarta-feira (21) pouco antes de ser executado por milicianos na Favela do Aço, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, disse em entrevista ao Jornal Nacional que tinha ido à comunidade em busca de emprego, mas acabou capturado pelos criminosos. Apontado como informante da polícia, foi cruelmente agredido e ameaçado.

“Perguntaram se eu era mandado de quem. Eu falei que ninguém. Entrei automaticamente no carro, baixei a minha cabeça. Me levaram até determinado local, me amarraram e foram cruéis, muito violentos de falarem que iam cortar minha cabeça, que iam me picotar, várias coisas, coisas ruim mesmo. Acharam que eu era informante da polícia ou do tráfico. Eu ali só pedia a Deus. Falaram ‘não estou nem aí para seus filhos’. Eles são muito cruéis, não têm dó, não têm pena, nem coração”, contou o homem, que tem 38 anos, está desempregado e é pai de três filhos.

O homem, que esteve na delegacia para ajudar nas investigações, contou que não mora na favela e que foi abordado por criminosos por ser um estranho no local. Ele ficou 2h30 em poder dos milicianos e disse que temeu ser morto.

Boletos comprovam extorção, diz polícia
Segundo a polícia, a maior parte das comunidades da Zona Oeste da cidade é dominada por milicianos. Os grupos são formados, principalmente, por ex-policiais que dizem fazer justiça com as próprias mãos. Eles obrigam moradores e comerciantes a lhes pagarem pra garantir a segurança do lugar. Se não derem dinheiro, podem ser mortos. Boletos apreendidos pela polícia comprovam a extorsão.

As investigações mostraram uma das características da milícia: o uso de fardas da polícia militar. São calças, camisas, coletes à prova de bala, botas. Os uniforme podem dar a ideia de que os milicianos são policiais a serviço da segurança. Máscaras e toucas, segundo a polícia, são usadas durante tortura e execução de vítimas, para que os milicianos não sejam identificados. Todo material foi apreendido em carros roubados, dentro da favela.

A polícia achou ainda um revólver, munição e carregadores de fuzil, armamento usado pela milícia para intimidar e executar suas vítimas. Desde 2007, 995 milicianos foram presos. Destes, 334 eram policiais.

 




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